Toda janela é um projétil, é um projeto, é uma paisagem

Árvore - Pedro França

Árvore - Pedro França

Aquarela sobre papel, 28 x 21,5 cm, 2016

Árvore - Pedro França

Árvore - Pedro França

Aquarela sobre papel, 41 x 29,5 cm, 2016

Bolha - Pedro França

Bolha - Pedro França

Acrílica, óleo, colagem, alumínio e arame, 190 x 100 cm, 2016

Céu - Pedro França

Céu - Pedro França

Acrílica e colagem, 203 x 135 cm, 2016

Dente - Pedro França

Dente - Pedro França

Acrílica, óleo e colagem, 100 x 132 cm, 2016

Estrada - Pedro França

Estrada - Pedro França

Aquarela sobre papel, 30 x 20,5 cm, 2016

Morro - Pedro França

Morro - Pedro França

Aquarela sobre papel, 22,5 x 28,5 cm, 2016

Piscina - Pedro França

Piscina - Pedro França

Aquarela sobre papel, 17,5 x 28,5 cm, 2016

Trama - Pedro França

Trama - Pedro França

Acrílica, óleo, colagem, fio e régua de mdf, 154 x 100 cm, 2016

Vaso - Pedro França

Vaso - Pedro França

Aquarela sobre papel, 21 x 20 cm, 2016

Eletrostática - Paulo Monteiro

Eletrostática - Paulo Monteiro

Pintura eletrostática sobre alumínio e pregos de cobre, 1,5 x 40 x 1,8 cm, ed. 4/10 + 2 P.A.

Sem título - Paulo Monteiro

Sem título - Paulo Monteiro

Óleo sobre tela, 15 x 10 cm cada, 2016

Sem título - Paulo Monteiro

Sem título - Paulo Monteiro

Óleo sobre tela, 28 x 25,5 cm, 2014

Alegoria 1 - Patricia Leite

Alegoria 1 - Patricia Leite

Óleo sobre madeira, 160 x 220 cm, 2015

Era um rio doce - Patricia Leite

Era um rio doce - Patricia Leite

Óleo sobre madeira, 14 x 26 x 3 cm, 2016

Bambuzal - Miguel Bakun

Bambuzal - Miguel Bakun

Óleo sobre tela, 60 x 44,5 cm

Marinha - Miguel Bakun

Marinha - Miguel Bakun

Óleo sobre tela, 27,5 x 33,5 cm

Caules - Miguel Bakun

Caules - Miguel Bakun

Óleo sobre tela, 46 x 54 cm

Sem título - Miguel Bakun

Sem título - Miguel Bakun

Óleo sobre tela, 36 x 27 cm

Paisagens com pinheiros - Miguel Bakun

Paisagens com pinheiros - Miguel Bakun

Óleo sobre tela, 54,5 x 45,5 cm

Cachorro - Mayana Redin

Cachorro - Mayana Redin

Vídeo digital - projeção e texto, dimensões variáveis, 2016

Cachorro (ato de fala) - Mayana Redin

Cachorro (ato de fala) - Mayana Redin

Vídeo digital - projeção e texto, 9'30", dimensões variáveis, 2016

The revolution will not be televised - Manuela Eichner

The revolution will not be televised - Manuela Eichner

Colagem, impressão e acrílica sobre tela, 51 x 51 cm, 2016

Exu - Manuela Eichner

Exu - Manuela Eichner

Colagem, impressão e acrílica sobre tela, 51 x 51 cm, 2016

Monstera deliciosa - Manuela Eichner

Monstera deliciosa - Manuela Eichner

Colagem tridimensional: plantas, foam board e vinil adesivo, dimensões variáveis, 2016

Ny Alesund #02 - Marcelo Moscheta

Ny Alesund #02 - Marcelo Moscheta

Impressão e colagem em papel algodão, alumínio, laser, acrílico, sensor de presença, fios e componentes elétricos, Ed. 1 + 1 P.A., 37 x 82 cm, 2012

Ny Alesund #04 - Marcelo Moscheta

Ny Alesund #04 - Marcelo Moscheta

Impressão e colagem em papel algodão, alumínio, laser, acrílico, sensor de presença, fios e componentes elétricos, Ed. 1 + 1 P.A., 37 x 82 cm, 2012

Ny Alesund #08 - Marcelo Moscheta

Ny Alesund #08 - Marcelo Moscheta

Impressão e colagem em papel algodão, alumínio, laser, acrílico, sensor de presença, fios e componentes elétricos, Ed. 1 + 1 P.A., 37 x 82 cm, 2012

Gostosa - Luisa Brandelli

Gostosa - Luisa Brandelli

Virola naval, impressão jato de tinta sobre papel algodão, latão, 176 x 110 x 6,5 cm, 2015

Sem título (pulseiras) - Luisa Brandelli

Sem título (pulseiras) - Luisa Brandelli

Miçanga, fio de nylon, alfinete, dimensões variáveis, 2016

O mar não parou para ser olhado - Juliana Stein

O mar não parou para ser olhado - Juliana Stein

Fotografia, impressão Lambda em papel Fuji Crystal Archivexxx, Ed. 1/3 + 1 P.A., 100 x 100 cm, 2014

O mar não parou para ser olhado - Juliana Stein

O mar não parou para ser olhado - Juliana Stein

Fotografia, impressão Lambda em papel Fuji Crystal Archivexxx, Ed. 1/3 + 1 P.A., 100 x 100 cm, 2014

Sem título, série Lugar do Outro - Julia Kater

Sem título, série Lugar do Outro - Julia Kater

Recorte de fotografia sobre papel algodão, 155 x 230 cm, ed. 3, 2016

Itanhaém - José Pancetti

Itanhaém - José Pancetti

Óleo sobre tela, 54,5 x 65,5 cm, 1945

Marinha com barcos - José Pancetti

Marinha com barcos - José Pancetti

Óleo sobre tela, 38 x 55 cm, 1956

Paisagem - Guignard

Paisagem - Guignard

Óleo sobre madeira, 55 x 66 cm, 1949

Sabará chuvoso - Guignard

Sabará chuvoso - Guignard

Óleo sobre madeira, 39 x 52 cm, 1956

Paisagem com mureta e janela - Guignard

Paisagem com mureta e janela - Guignard

Óleo sobre madeira, 32,5 x 26 cm

Cabeça de boi - Djanira

Cabeça de boi - Djanira

Óleo sobre tela, 130 x 160 cm, 1965

Veludo 6 - Edgard de Souza

Veludo 6 - Edgard de Souza

Veludo sobre chassis de madeira, 130 x 100 cm, 2016

1, 2, 3, 4 - Cícero Dias

1, 2, 3, 4 - Cícero Dias

Aquarela sobre papel, 32,3 x 49,4 cm, 1929

Ignorado momento - Cícero Dias

Ignorado momento - Cícero Dias

Aquarela sobre papel, 51 x 36 cm, 1926

Canavial - Cícero Dias

Canavial - Cícero Dias

Óleo sobre tela, 65 x 54,5 cm, 1927

Coqueiral - Cícero Dias

Coqueiral - Cícero Dias

Óleo sobre tela, 92 x 73 cm, década de 1930

Moça no espelho - Cícero Dias

Moça no espelho - Cícero Dias

Óleo sobre tela, 92 x 73 cm, década de 1950

Iguaçu V - Caio Reisewitz

Iguaçu V - Caio Reisewitz

Impressão em metacrilato, Ed. 2/5, 223 x 180 cm, 2010

Puruba - Caio Reisewitz

Puruba - Caio Reisewitz

C-print em metacrilato, Ed. 1/5, 180 x 223 cm, 2016

Silent now - Awst & Walther

Silent now - Awst & Walther

Espelho jateado, ed. 2, 220 x 160 cm, 2014

Sem título - Antonio Malta Campos

Sem título - Antonio Malta Campos

Óleo sobre tela, 42 x 33 cm, 2016

Círculo - Antonio Malta Campos

Círculo - Antonio Malta Campos

Óleo sobre tela, 42 x 33 cm, 2014

Faixas - Antonio Malta Campos

Faixas - Antonio Malta Campos

Óleo sobre tela, 42 x 33 cm, 2014

Paisagem - Antonio Malta Campos

Paisagem - Antonio Malta Campos

Óleo sobre tela, 42 x 33 cm, 2014

Sem título - Antônio Bandeira

Sem título - Antônio Bandeira

Óleo sobre tela, 80 x 100 cm, 1964

Rede (Campo Belo) - Ana Elisa Egreja

Rede (Campo Belo) - Ana Elisa Egreja

Óleo sobre tela, 150 x 200 cm, 2016

Rede (Vila Madalena) - Ana Elisa Egreja

Rede (Vila Madalena) - Ana Elisa Egreja

Óleo sobre tela, 40 x 30 cm, 2016

Bandeirinhas - Alfredo Volpi

Bandeirinhas - Alfredo Volpi

Têmpera sobre tela, 46,6 x 32 cm, década de 1970

Bandeirinhas com mastro rosa e azul - Alfredo Volpi

Bandeirinhas com mastro rosa e azul - Alfredo Volpi

Têmpera sobre tela, 47,4 x 71,8 cm, década de 1970

Fachada das doze cores - Alfredo Volpi

Fachada das doze cores - Alfredo Volpi

Têmpera sobre tela, 24 x 32,7 cm, década de 1970

Marinha com vela rosa ou vela, mastro e bandeirinha ao vento - Alfredo Volpi

Marinha com vela rosa ou vela, mastro e bandeirinha ao vento - Alfredo Volpi

Têmpera sobre tela, 24 x 32,7 cm, década de 1970

Mastros - Alfredo Volpi

Mastros - Alfredo Volpi

Têmpera sobre tela, 72 x 101,5 cm, década de 1970

Toda janela é um projétil, é um projeto, é uma paisagem

Curitiba - SIM Galeria

 

  20/10/2016

Artistas: Alfredo Volpi, Ana Elisa Egreja, Antônio Bandeira, Antonio Malta Campos, Awst & Walther, Caio Reisewitz, Cícero Dias, Edgar de Souza, Guignard, José Pancetti, Julia Kater, Juliana Stein, Luisa Brandelli, Manuela Eichner, Marcelo Moscheta, Mayana Redin, Miguel Bakun, Patricia Leite, Paulo Monteiro, Pedro França.

A SIM Galeria, em parceria com a Simões de Assis Galeria de Arte, apresentam "Toda janela é um projétil, é um projeto, é uma paisagem", mostra coletiva sob curadoria de Paulo Miyada.

Alfredo Volpi, Ana Elisa Egreja, André Komatsu, Antônio Bandeira, Antônio Malta Campos, Awst & Walther, Caio Reisewitz, Cícero Dias, Djanira, Edgard de Souza, Guinard, José Pancetti, Julia Kater, Juliana Stein, Luisa Brandelli, Marcelo Moscheta, Manuela Eichner, Mayana Redin, Miguel Bakun, Patricia Leite, Paulo Monteiro e Pedro França.

Toda janela é um projétil, é um projeto, é uma paisagem

Na história da humanidade, nem toda morada tem janelas e nem toda paisagem se percebe desde ambientes interiores. Mas, toda vez que há janelas, é possível percebê-las como metáfora e metonímia de modelos de privacidade, abordagens do espaço público e concepções da paisagem. Quem abre janelas edita, idealiza e constrói seu território.

Na história da arte, nem toda imagem é representação e nem toda representação emula a espacialidade de uma janela. Mas, toda vez que se representa uma paisagem, existe a oportunidade de exemplificar, demonstrar, analisar, criticar e/ou refletir os modos de percepção e concepção do território atuantes em dada época e lugar.

Embora lide com escalas espaciais e temporais que podem extrapolar as dimensões das vidas dos indivíduos, a própria concepção da paisagem é uma ação humana, que se faz junto do ambiente natural, mas nunca coincide com ele. Ver o mundo, enquadrá-lo e representá-lo é um ato de linguagem e, por consequência, de desígnio, desejo, expectativa e apreensão.

Assim, a história das paisagens de um território não é apenas uma oportunidade para refletir sobre continuidades e rupturas entre estilos, subjetividades e técnicas de dada cultura, mas também um lugar privilegiado de reflexão sobre projetos de humanidade, sociedade e presença em dado ambiente habitado.

Toda janela é um projétil, é um projeto, é uma paisagem é um ensaio expositivo com alguns dos mais relevantes paisagistas modernos brasileiros (junto a seus ideais de tempo, espaço e vida) e diversos artistas contemporâneos que se dedicam contínua ou pontualmente a reencontrar imaginários possíveis para a existência em seus territórios.

Há um tanto de isomorfismo, outro tanto de coincidência, mas o que realmente motiva este ensaio é fazer aflorar hipóteses de geografia humana cantadas pelos artistas em suas paisagens.

O embaralhamento entre tempos e regiões pode servir para deixar latentes ressonâncias entre sentidos poéticos ou processuais, em detrimento de reiterações classificatórias ou cronológicas. Objetos e objetivos transbordam categorizações, enquanto cada artista histórico atrai uma vizinhança peculiar.

Cícero Dias evoca uma visada alegórica da paisagem brasileira e, assim, dialoga com Manuela Eichner, Luisa Brandelli, Ana Elisa Egreja, Patricia Leite e Mayana Redin, em um conjunto que traz ainda a ressonância do imaginário vernacular em Djanira.

Em seguida, José Pancetti agrega abordagens da paisagem em que são soberanas a duração, a intensidade e a extensão praieiras, acompanhado por Caio Reisewitz, Juliana Stein e a dupla Awst & Walther - além um desdobramento da obra de Redin e pontuações de Miguel Bakun e Cícero Dias. 
De outro lado, Volpi aborda o espaço urbano, mas como ritmo prosaico de cores e formas pictóricas. A malevolência sagaz de seus gestos é aqui aproximada de obras de Antônio Malta Campos e Paulo Monteiro.

Já Alberto da Veiga Guignard condensa a paisagem como essencial substância mnemônica que se pode empilhar, acumular ou atravessar. Nisso está acompanhado por Edgard de Souza e Julia Kater. Adiante, Bakun também pontua a sala e em seguida desfila modos de apreender empiricamente seu entorno, como quem faz da arte ferramenta de teste, assim como Marcelo Moscheta e Pedro França.

E, finalmente, Antonio Bandeira enfrenta a paisagem urbana como tensionamento expressivo da grelha ortogonal, ao lado de André Komatsu e de outro conjunto de obras de França. 

Frente a esse panorama, algo que talvez impacte os mais inquietos com o estado do mundo em geral e especialmente de nosso país e de suas políticas será o caráter minoritário dos projetos ambientais encapsulados por essas poéticas, o modo como todas elas contrastam radicalmente com o que o Brasil tem anunciado como signo do desenvolvimento e do progresso. Seriam então os artistas sempre românticos em sua concepção da paisagem? Ou será que somos nós demasiado cegos para a correspondência entre o que vemos pela janela e o que vivemos em nossos corpos?

Paulo Miyada