Hiato

Aparato da invisibilidade - Romy Pocztaruk

Aparato da invisibilidade - Romy Pocztaruk

Conjunto de lentes, 2015

A pedra flutuante - Romy Pocztaruk

A pedra flutuante - Romy Pocztaruk

Cristal, glicerina e copo, 2015

Superfície de contato - Romy Pocztaruk

Superfície de contato - Romy Pocztaruk

Vidro, escada de madeira e agua, 2015

Sem título, série Monotipia - Mira Schendel

Sem título, série Monotipia - Mira Schendel

Óleo sobre papel de arroz, 49 x 24 cm, déc. 60

Sem título, série Monotipia - Mira Schendel

Sem título, série Monotipia - Mira Schendel

Óleo sobre papel de arroz, 47 x 23 cm, déc. 60

Sem título, série Monotipia - Mira Schendel

Sem título, série Monotipia - Mira Schendel

Óleo sobre papel arroz, 47 x 23 cm, déc. 60

Sem título, série Monotipia - Mira Schendel

Sem título, série Monotipia - Mira Schendel

Óleo sobre papel de arroz, 47 x 23 cm, déc. 60

Sem título, série Monotipia - Mira Schendel

Sem título, série Monotipia - Mira Schendel

Óleo sobre papel de arroz, 47 x 23 cm, déc. 60

Sem título, série Monotipia - Mira Schendel

Sem título, série Monotipia - Mira Schendel

Óleo sobre papel de arroz, 49 x 23 cm, déc. 60

A República - Marilá Dardot

A República - Marilá Dardot

Impressão digital sobre tecido de algodão, 3 bandeiras de 90 x 130 cm cada, 2016

Leito - Maria Laet

Leito - Maria Laet

Vídeo, 2'31", 2013

Sem Título - Lygia Pape

Sem Título - Lygia Pape

Nanquim sobre papel japonês, 42,6 x 25,5 cm (moldura 59 x 41,5 cm), 1957

Sem título, série Diário Urbano - Luiza Baldan

Sem título, série Diário Urbano - Luiza Baldan

Impressão a jato de tinta em papel algodão, 60 x 80 cm, ed. 3 + 2 P.A., 2009

Sem título, série Serrinha - Luiza Baldan

Sem título, série Serrinha - Luiza Baldan

Impressão a jato de tinta em papel algodão, 80 x 120 cm, ed. 3 + 2 P.A., 2011

Hands on the pockets - Leonilson

Hands on the pockets - Leonilson

Aquarela e tinta de caneta permanente sobre papel, 30,6 x 23 cm, 1990

O filósofo - Leonilson

O filósofo - Leonilson

Aquarela e tinta de caneta permanente sobre papel, 30,5 x 23 cm, 1991

O matemático - Leonilson

O matemático - Leonilson

Aquarela e tinta de caneta permanente sobre papel, 30,5 x 23 cm, 1991

O vapor - Leonilson

O vapor - Leonilson

Aquarela e tinta de caneta permanente sobre papel, 30,5 x 23 cm, 1991

CAOS - Laura Vinci

CAOS - Laura Vinci

Mármore e ferragens, dimensões variáveis, 2014

Quatro coordenadas topográficas e a construção de um possível horizonte breve - Lais Myrrha

Quatro coordenadas topográficas e a construção de um possível horizonte breve - Lais Myrrha

Fotografia e ônix polido, 30 x 45 x 30 cm, 2016

Sem título - Juliana Stein

Sem título - Juliana Stein

Impressão lambda em papel Fugi Crystal, 100 x 100 cm, 2016

Sem título - Juliana Stein

Sem título - Juliana Stein

Impressão lambda em papel Fugi Crystal, 100 x 100 cm, 2002

5 espaços, da série: Pequenas gravidades - Daisy Xavier

5 espaços, da série: Pequenas gravidades - Daisy Xavier

Desenho e rede em fio de alumínio sobre tela, 35 x 35 cm, 2016

Duplo Cego, da série: Pequenas gravidades - Daisy Xavier

Duplo Cego, da série: Pequenas gravidades - Daisy Xavier

Desenho e rede em fio de alumínio sobre tela, 35 x 35 cm, 2016

Matéria Escura, da série: Pequenas gravidades - Daisy Xavier

Matéria Escura, da série: Pequenas gravidades - Daisy Xavier

Desenho e rede em fio de alumínio sobre tela, 35 x 35 cm, 2016

Sobre como as coisas caem, da série: Pequenas gravidades - Daisy Xavier

Sobre como as coisas caem, da série: Pequenas gravidades - Daisy Xavier

Desenho e rede em fio de alumínio sobre tela, 130 x 130 cm, 2016

Nó do desejo - Daisy Xavier

Nó do desejo - Daisy Xavier

Rede de alumínio e aro de prata, 28 x 30 x 20 cm, 2015

Changing tracks, Berlin-Moskau Express Train, Polish-Belorussian Border - Documentation images from Chernobyl Project (2007-2010) - Alice Miceli

Changing tracks, Berlin-Moskau Express Train, Polish-Belorussian Border - Documentation images from Chernobyl Project (2007-2010) - Alice Miceli

Impressão digital sobre papel fotográfico, 36 x 53 cm, ed. 2/3 + 1 PA, 2008

Belorussian-Ukrainian dorder, Chernobyl Exclusion Zone, Belarus, 2009 - Documentation images from Chernobyl Project (2007-2010) - Alice Miceli

Belorussian-Ukrainian dorder, Chernobyl Exclusion Zone, Belarus, 2009 - Documentation images from Chernobyl Project (2007-2010) - Alice Miceli

Impressão digital sobre papel fotográfico, 36 x 53 cm, ed. 2/3 + 2 PA, 2009

School Bus, Choiniki, Belarus, 2008 - Documentation images from Chernobyl Project (2007-2010) - Alice Miceli

School Bus, Choiniki, Belarus, 2008 - Documentation images from Chernobyl Project (2007-2010) - Alice Miceli

Impressão digital sobre papel fotográfico, 36 x 53 cm, ed. 2/3 + 2 PA, 2008

Platforms, Berlin-Moskau Express Train, Poland, 2008 - Documentation images from Chernobyl Project (2007-2010) - Alice Miceli

Platforms, Berlin-Moskau Express Train, Poland, 2008 - Documentation images from Chernobyl Project (2007-2010) - Alice Miceli

Impressão digital sobre papel fotográfico, 36 x 53 cm, ed. 2/3 + 2 PA, 2008

Cabin interior, Berlin-Moskau Express Train, Germany, 2008 - Documentation images from Chernobyl Project (2007-2010) - Alice Miceli

Cabin interior, Berlin-Moskau Express Train, Germany, 2008 - Documentation images from Chernobyl Project (2007-2010) - Alice Miceli

Impressão digital sobre papel fotográfico, 36 x 53 cm, ed. 2/3 + 2 PA, 2008

On the way to reactor, Chernobyl Exclusion Zone, Belarus, 2009 - Documentation images from Chernobyl Project (2007-2010) - Alice Miceli

On the way to reactor, Chernobyl Exclusion Zone, Belarus, 2009 - Documentation images from Chernobyl Project (2007-2010) - Alice Miceli

Impressão digital sobre papel fotográfico, 36 x 53 cm, ed. 2/3 + 2 PA, 2009

Sem título, da série Novos Ausentes - Anna Maria Maiolino

Sem título, da série Novos Ausentes - Anna Maria Maiolino

Cimento moldado com pigmento, 44 x 47 cm, 2011

Sem título, da série Novos Ausentes - Anna Maria Maiolino

Sem título, da série Novos Ausentes - Anna Maria Maiolino

Cimento moldado com pigmento, 44 x 47 cm, 2011

Hiato

Curitiba - SIM Galeria

 

  30/06/2016

Artistas: Alice Miceli, Anna Maria Maiolino, Daisy Xavier, Juliana Stein, Lais Myrrha, Laura Vinci, Leonilson, Luiza Baldan, Lygia Pape, Maria Laet, Marilá Dardot, Mira Schendel, Romy Pocztaruk.

Anna Maria Maiolino | Alice Miceli | Daisy Xavier | Juliana Stein | Lais Myrrha | Laura Vinci | Leonilson | Luiza Baldan | Lygia Pape | Maria Laet | Marilá Dardot | Mira Schendel | Romy Pocztaruk | Curadoria de Luisa Duarte

HIATO

Ao me convidar para realizar uma exposição que contasse somente com artistas mulheres, a SIM Galeria desejava incorporar à sua agenda um debate atual no Brasil. Tratava-se de tentar refletir um momento no qual os movimentos feministas e pós-feministas mobilizam de maneira candente o país.

Mas, aceito o convite, acabei por descartar os caminhos que me levariam a uma exposição sobre o feminismo, mas me comprometi a buscar uma pesquisa sobre traços que pudessem evocar aquilo que associamos ao registro feminino. Tratava-se de insistir numa chance de me ocupar de um universo que partisse da feminilidade sem cair num gesto ilustrativo.

Em meio a pesquisa leio uma entrevista da crítica e curadora Lisette Lagnado, cujo tema central era justamente o feminismo. Dessa fala sublinho o seguinte trecho:

Ao longo da sua carreira como curadora, você já organizou exposições que deram ênfase a artistas mulheres? E quanto a obras que exploram questões feministas?

Só fiz uma vez uma curadoria efetivamente voltada para descascar essa questão. Era o aniversário do livro de Simone de Beauvoir, O Segundo Sexo (1949). Clio, Pátria (Caderno Sesc-Videobrasil nº 5) foi um exercício muito especial para mim, porque percebi que eu falava do Leonilson quando era convidada a falar de feminismo…

 

Poderia citar alguns artistas e/ou obras que abordam essas questões e que considera bons?

Para mim, Leonilson contribuiu mais para me pensar como mulher do que Ana Maria Tavares, então não sei se consigo responder. A pergunta me parece machista. O que é “bom”? Que questões? Como já disse, o feminismo não se reduz a temas (violência doméstica, aborto, estupro, salários iguais etc.). As questões formais não devem ser menosprezadas. Eva Hesse era feminista? O que importa? Na minha percepção, o feminismo é um modo de estar no mundo, de se relacionar com o outro, de lidar com problemas econômicos, de fazer partilhas, de pensar ecologia, de resolver dívidas, de brigar e botar o pau na mesa, de ser generoso e não perder a ternura, tudo isso junto e muito mais.

Tomando a colocação de Lisette Lagnado com uma posição com a qual me identifico, tendo sido Leonilson um leitmotiv de diversos textos meus até hoje publicados e de ao menos duas exposições, tomo o artista como ponto de partida para a exposição hoje apresentada. O título escolhido evoca o intervalo entre vogais. Hiato tem origem no termo Latim “hiatus”, cujo significado é “abertura, fenda, lacuna”. Assim, o título sinaliza para algumas características presentes no trabalho de Leonilson, quais sejam: o uso da palavra seguida por longos intervalos em branco; a capacidade de se fazer dizer justamente no intervalo, no não dito; o vazio como produtor de sentido; a ausência que caminha na contra mão do espetáculo.

Tais aspectos da obra de Leonsilson me levaram, por sua vez, a uma citação a respeito de Walter Benjamin que pode iluminar o caminho que pretendemos seguir, trazendo a tona a questão da mulher, e do feminino, de um modo singular:

 

“O silêncio – tipificado como atitude da mulher – é o elemento decisivo para a compreensão, no texto, da natureza da conversa. A valorização do silêncio determina a grande diferença de sua compreensão em relação às teorizações filosóficas sobre o diálogo da tradição metafísica. Estas teorizações, privilegiando a dimensão comunicativa da conversa, detêm-se unicamente na fala, compreendendo o diálogo como uma troca verbal onde se produziria o sentido. A dialética aqui é simétrica, entre iguais – os dois falantes. Para Benjamin, a dialética da conversa é, ao contrário, assimétrica e se estabelece entre duas diferenças: a que fala, e a que escuta, ou seja, entre a fala e o silêncio, entre o homem e a mulher. Na conversa, silêncio e fala engendram-se mutuamente: se o silêncio é a fonte de sentido, a fala gera o silêncio. (...) É no vazio das palavras escutadas que o ouvinte apreende, com desenvoltura, a verdadeira natureza da linguagem – o som das palavras que lhe entra pelos ouvidos, a sua visibilidade nos esforços de expressão do rosto de quem fala. (...) As conversas dos homens são sempre ardilosas e Benjamin usa termos fortemente negativos para classificá-las: “jogos obscenos”, “paradoxos que violentam a grandeza da linguagem". A cultura, onde a linguagem degradou-se ao interesses de poder e dominação é, para Benjamin, uma cultura masculina onde a mulher não pode existir sem também degradar-se. (...) Estes personagens, a mulher, o jovem, fornecem-lhe a diferença necessária para construir a sua crítica da cultura e a esperança de uma outra cultura apenas adivinhada, uma visão fugaz do paraíso. Como conversam entre si as mulheres que não perderam a alma no mundo das palavras masculino? pergunta-se Benjamin.”

Assim, em tempos nos quais somos todos chamados a guerrear por meio de palavras diariamente num Brasil imerso na polarização política, a presente exposição busca uma pausa reflexiva, um intervalo para pensarmos na importância do silêncio como formador de sentido, ou mesmo em uma outra forma de nomear e conversar que nos endereça a possibilidade de outras maneiras de se estar no mundo.

“Hiato” torna-se assim uma aposta no murmúrio em meio a cacofonia generalizada em que estamos imersos. Uma aposta na delicadeza, na falha, no momento em que a palavra nos falta, na permanência no vazio que gera tempo para algum tipo de elaboração. Ou seja, trata-se de recordar que é ali, no espaço em branco entre um verso e outro de um poema que encontra-se guardado o sentido daquilo que está sendo dito.

Luisa Duarte, 2016